Friday, November 30, 2007

Gostava que perto da minha janela se pudesse olhar para uma grande extensão de água, para que o seu som me embalasse nas horas que não consigo adormecer. Como não há janela, pelo menos sei, que na rua está frio suficiente para me gelar os pensamentos...

Thursday, November 22, 2007

É distinto.
Será eminente?

Wednesday, November 21, 2007

Onde estou? Estou sempre aqui, nas palavras que escolho e que me delineiam. Não tenho limites nestas linhas que não terminam, que se cravam no azul de fundo e se prolongam nas horas tardias pela procura do nada. Apenas pelo prazer de estar sem dizer - estou aqui.
Letras sem sentido, é tudo o que eu quero que sejam para quem as encontre. Que não sejam o espelho de alguém mas que subsistam pelo sabor da verdade.

Sem ouvir os meu próprios passos, facilmente me perco.
Vivo aqui nas incertezas dos sonhos de quem se esconde, de quem não encontra respostas complacentes.

Monday, November 19, 2007

Ambiência

Dia e noite, o que eles dizem, não quero saber.
É uma partícula pequeníssima, banhada por uma réstia de luz que sobrevive e ganha forma.
Anuo e deixo-a estar, deixo-a reagir, crescer.
Acima de tudo, façam-se linhas que evolucionem no mesmo sentido!
E escolha-se o desenho pelo sua veemência.

Monday, November 05, 2007

São várias as correntes que nos fazem escrever.
São alguns os motivos que nos levam a querer ler mais. A procurar mais, a inventar mais. E assim, a sonhar mais. Por agora viver mais, escrevo um pouco menos.

Wednesday, October 31, 2007

Estes são os dias

I

magino o que nos fará parar, se os dias estão pintados de fresco, se o ar foi renovado, se os campos estão floridos.
Recordo uma ponte que visitei. Sei que continua no mesmo sítio, mas hoje, talvez, intransponível. Muitos pensam que a qualquer momento pode ruir.
Será que confio? Posso, certamente, passa-la mas sentirei o receio. Ir ou ficar?
Segui. Sigo nos dias claros, nas manhãs que o sol espreita e promete dar o seu melhor.
Segui, porque é ter o melhor dos dias. É o frio, o riso e o calor também. É apreciar e observar. Aprovar e rir perdidamente, porque me sabe tão bem, rir, pelo efeito da alegria. É emitir esse sentimento quando todos precisamos dele.

Wednesday, October 24, 2007

64 Quadrados

Estendo-me nesse plano em som mudo, para não fazer barulho. Suspendo-me a dois palmos do chão para suster a ideia dominante, nas peças que se movem dispersas depois de se iniciar a abertura de um jogo de xadrez, a preto e branco amarelado.
Não é meu intento ganhar.


Monday, October 22, 2007

Fio de prumo

Paredes construídas de pedras presas por um fio imaginário, talvez. Sem esse fio, acabam afinal por ser pedras soltas que nos caem em cima, nos esmagam mas não, não nos matam. Não podem. Serão, então, os ventos que nos arrefecem pelo seu movimento e nos tiram do solo.
Tentamos dissolver essas noções de frio e preservar a temperatura nos piores dias de inverno.
É ver esse fio imaginário, que já não reconheço..

Sunday, October 21, 2007

Matriz

Não sei de onde vem ou para onde vai. Sinto-me triste tanto quanto o posso estar, tanto quanto a palavra assim o define. Sinto-me cansada, de lutar para perceber de onde vem. Talvez de lutar contra mim. Como posso definir se não percebo... Um estar sem estar, sem perceber. Mas prometo que ninguém vai notar.

Saturday, October 20, 2007

Não há caminho para percorrer.

Imagino a estrada de terra batida e humedecida. Imagino-me descalça para sentir.
Pelo olor. Esta volição desperta-me, permite, ajuda-me a ser o que sou, nesta profundidade, quando não sou. Talvez um obelisco quando não sou.
Espero até ser noite e aqui ficar. Aqui, embalada pelas palavras distorcidas, sem jeito e sem nexo. Aqui ... que não me ouvem.
Talvez seja impossível de travar esta vontade de ficar. De ficar, ficar... e apenas estar. Sem que isso me importe. Mas, sem que isto seja mais forte que uma constelação boreal. Não há maior e mais profunda contemplação. E se houver, descobrirei, se tiver de ser, mais tarde.


Wednesday, October 17, 2007

Tuesday, October 16, 2007

Para onde vai?
Porque razão é importante escrever o que não se lê?
Encontrar um traço e escrever uma particularidade.
É manifestar-me no vazio para o silêncio das vozes feridas.
É importante escrever o que há no vazio.
Não há. Porque razão?
Porque às formas do tempo não faço sentido.

Thursday, October 11, 2007

A filha Ifigénia?

Pensava Agamemnon para que houvesse bons ventos, que houvesse assim sacrifícios.
Cegos por uma vitória...

Nestas histórias, nestes contos, nestes passados tão presentes, os meus olhos param em Cassandra.

A filha ifigénia ou o pai Agamemnon?
O equivalente a tantas outras perguntas.

Thursday, October 04, 2007

Era uma vez

Não, não era uma vez. Mas aconteceu, num espaço de um dia caberem todas as palavras. Fui somando. Escolhendo e acolhendo e assim acrescentando. Quando achei ter terminado, esse pequeno enorme espaço estava ainda por preencher. Era a tal palavra… Nunca surgiu que a escrevesse, que a pusesse em qualquer lugar ou a utilizasse somente. Talvez fosse transparente para mim. Invisível aos meus olhos, invisível ao meu tacto. Solidamente invisível aos meus sentidos, sempre que a sonhava. A verdade, é que a vi algumas vezes. E da última, sei que tinha o seu interior projectado numa extensão harmoniosa. Foi, para onde não sei. Foi a mantilha da lembrança da palavra. Derivo.

Tuesday, September 18, 2007

O Trigal com corvos

" ... Pintei três grandes telas. Grandes extensões de trigo sob os céus
atormentados... E não tive que f
azer nenhum esforço para exprimir minha tristeza, uma solidão que corre muito, muito profunda. "


Vincent Van Gogh


Sunday, September 16, 2007

Um grão verde e pequeno, perdido.
Puff… Uma bola de sabão de ontem.
Um palco antigo, repleto de vários abandonos.
Hoje. Hoje? Hoje!


Gestos guardados, que nem chegaram a ser revelados.
E já não podem mais.
Guardados. Sonhados.

Estes dias e estas meigas meias horas deste Verão quente que se afasta lento, com a pressa de uma mândria.


Monday, September 03, 2007

Existiram razões, mas não minhas. E quando foram as minhas, perdi-as. Dei-as a quem passou. Misturei-me no desconforto das coisas. Prendi-me ao que não me pertence.
Tento. Tento... Ir, voltar. Ir, vir e estar ... aqui.

Outro lugar, para muito, algum ou pouco tempo. Mas não... São duas ou três razões que me fazem ficar. Talvez uma. A desculpa. Estas razões encobrem a falta de coragem. A vontade de não deixar de lado a pequena e agradável cidade.

Não sei.


Friday, August 31, 2007

A quatro cordas

Radiantes e magníficos, mais do que cinco, Todos.
Todos - parece ter sido a palavra de ordem desta semana que termina.

A quatro cordas ouvi esta mesma semana. Entre estas, sou forçada a ter que torcer uma das cordas. Ao fazê-lo, o som deixa de ser o mesmo, não me agrada, pois magoam-me os dedos, como se fosse uma impossibilidade física, mas deste esforço obtenho agilidade.
Vou voltar aqui, vezes sem conta. Adivinho. Irei, eu, recordar-me que possuo esta agilidade?
Está esta mente fraca para se esquecer assim tão velozmente?
Oh, não. Não, nada se esquece. Não há lei, chip, comandos e botões que tenham essa função. Se até dentre vidas passadas nos recordamos. Ou... ou então é só uma sugestão singular.

Vou de Férias.

Thursday, August 30, 2007

Dama de Espadas



"...quem desse o melhor presente ao povo da cidade venceria..."



Wednesday, August 29, 2007

Amanhã às seis

Fiquei com saudades de tudo o que está longe.
Estou com saudades de Todos. A; B; C; ... Todos!

Mas agora não posso pedir-lhes que estejam aqui.
Não posso.

Em outro presente dar-lhes-
ei o ar da minha graça...

 
Nunca deixamos de sentir aquilo que não dizemos.