Saturday, October 20, 2007

Não há caminho para percorrer.

Imagino a estrada de terra batida e humedecida. Imagino-me descalça para sentir.
Pelo olor. Esta volição desperta-me, permite, ajuda-me a ser o que sou, nesta profundidade, quando não sou. Talvez um obelisco quando não sou.
Espero até ser noite e aqui ficar. Aqui, embalada pelas palavras distorcidas, sem jeito e sem nexo. Aqui ... que não me ouvem.
Talvez seja impossível de travar esta vontade de ficar. De ficar, ficar... e apenas estar. Sem que isso me importe. Mas, sem que isto seja mais forte que uma constelação boreal. Não há maior e mais profunda contemplação. E se houver, descobrirei, se tiver de ser, mais tarde.


Wednesday, October 17, 2007

Tuesday, October 16, 2007

Para onde vai?
Porque razão é importante escrever o que não se lê?
Encontrar um traço e escrever uma particularidade.
É manifestar-me no vazio para o silêncio das vozes feridas.
É importante escrever o que há no vazio.
Não há. Porque razão?
Porque às formas do tempo não faço sentido.

Thursday, October 11, 2007

A filha Ifigénia?

Pensava Agamemnon para que houvesse bons ventos, que houvesse assim sacrifícios.
Cegos por uma vitória...

Nestas histórias, nestes contos, nestes passados tão presentes, os meus olhos param em Cassandra.

A filha ifigénia ou o pai Agamemnon?
O equivalente a tantas outras perguntas.

Thursday, October 04, 2007

Era uma vez

Não, não era uma vez. Mas aconteceu, num espaço de um dia caberem todas as palavras. Fui somando. Escolhendo e acolhendo e assim acrescentando. Quando achei ter terminado, esse pequeno enorme espaço estava ainda por preencher. Era a tal palavra… Nunca surgiu que a escrevesse, que a pusesse em qualquer lugar ou a utilizasse somente. Talvez fosse transparente para mim. Invisível aos meus olhos, invisível ao meu tacto. Solidamente invisível aos meus sentidos, sempre que a sonhava. A verdade, é que a vi algumas vezes. E da última, sei que tinha o seu interior projectado numa extensão harmoniosa. Foi, para onde não sei. Foi a mantilha da lembrança da palavra. Derivo.

Tuesday, September 18, 2007

O Trigal com corvos

" ... Pintei três grandes telas. Grandes extensões de trigo sob os céus
atormentados... E não tive que f
azer nenhum esforço para exprimir minha tristeza, uma solidão que corre muito, muito profunda. "


Vincent Van Gogh


Sunday, September 16, 2007

Um grão verde e pequeno, perdido.
Puff… Uma bola de sabão de ontem.
Um palco antigo, repleto de vários abandonos.
Hoje. Hoje? Hoje!


Gestos guardados, que nem chegaram a ser revelados.
E já não podem mais.
Guardados. Sonhados.

Estes dias e estas meigas meias horas deste Verão quente que se afasta lento, com a pressa de uma mândria.


Monday, September 03, 2007

Existiram razões, mas não minhas. E quando foram as minhas, perdi-as. Dei-as a quem passou. Misturei-me no desconforto das coisas. Prendi-me ao que não me pertence.
Tento. Tento... Ir, voltar. Ir, vir e estar ... aqui.

Outro lugar, para muito, algum ou pouco tempo. Mas não... São duas ou três razões que me fazem ficar. Talvez uma. A desculpa. Estas razões encobrem a falta de coragem. A vontade de não deixar de lado a pequena e agradável cidade.

Não sei.


Friday, August 31, 2007

A quatro cordas

Radiantes e magníficos, mais do que cinco, Todos.
Todos - parece ter sido a palavra de ordem desta semana que termina.

A quatro cordas ouvi esta mesma semana. Entre estas, sou forçada a ter que torcer uma das cordas. Ao fazê-lo, o som deixa de ser o mesmo, não me agrada, pois magoam-me os dedos, como se fosse uma impossibilidade física, mas deste esforço obtenho agilidade.
Vou voltar aqui, vezes sem conta. Adivinho. Irei, eu, recordar-me que possuo esta agilidade?
Está esta mente fraca para se esquecer assim tão velozmente?
Oh, não. Não, nada se esquece. Não há lei, chip, comandos e botões que tenham essa função. Se até dentre vidas passadas nos recordamos. Ou... ou então é só uma sugestão singular.

Vou de Férias.

Thursday, August 30, 2007

Dama de Espadas



"...quem desse o melhor presente ao povo da cidade venceria..."



Wednesday, August 29, 2007

Amanhã às seis

Fiquei com saudades de tudo o que está longe.
Estou com saudades de Todos. A; B; C; ... Todos!

Mas agora não posso pedir-lhes que estejam aqui.
Não posso.

Em outro presente dar-lhes-
ei o ar da minha graça...

Saturday, August 25, 2007

Wednesday, August 22, 2007

It's. the. wrong. time.
World.Words.Place.Turns.Return.Extreme.Sweetest.Bridges.
Each.Days.Waves.Whisper.Lines.Tomorrow.Closed.Faces.
Talks.Statues.Absent.Earth.Outside.Wings.Clock.Desert.
Quiet.Stop.Something.Somewhere.Somebody.
Could it be only a world of words.

Wednesday, August 15, 2007

Dia Sideral

Suponho, que o tempo me desse tudo o que eu pedisse. Pedir e obter.
Então, talvez, se eu conseguisse enumerar tudo o que falta, hoje não grafaria nada.
Estarei a transmitir que nada me faça falta, ilusão! Porque muitas e pequenas são as coisas que fazem a sua falta.
Tal como, num dia que é composto, mais precisamente, por 23h 56m e 4s, não são os restantes segundos que me peiam de ver, ouvir, sentir, falar, cheirar - viver.
É uma questão de opção...

Monday, August 06, 2007

Joni Mitchell

Porque as suas letras são introspectivas e porque me cheira a inverno de cada vez que a ouço... apraz-me muito ouvi-la.
É como se viajasse até uma manhã de um dia qualquer de inverno, com o sol já a prometer aquecer o dia.

Both sides now by Joni Mitchell. And so many many others...

Saturday, August 04, 2007



Todos diferentes, todos iguais.
Todos idênticos, por aquilo que somos e não por aquilo que damos.


Saturday, July 28, 2007

Status quo

Entre as palavras que pairam no espírito, aqui, a vida neste instante.
Procurei montanhas e encontrei-as. Algumas subi e em algumas havia ar fresco, noutras chuvas torrenciais. Nessas idas e vindas tive silêncios que foram cruéis e castigaram. Nessas mesmas idas e vindas tive também sorrisos que alegraram.
O tempo guardou alguns momentos e derreteu outros.
Quem pediu a verdade, perguntei. Fui eu, ouvi dentro de mim...
Porque anseio sempre, como se fosse um ritual, para que não haja fim, esse em que se teme a forma que possa adquirir.
Dormente, fechei os olhos. Ouvi o som de quem respira; inspira,
aflitamente; insistentemente, depois de se suster a respiração durante alguns segundos.
Deixei que o sabor das palavras me invadisse, pela força da minha persistência. Mas tudo era descoberta nessas palavras…
Por mim, tive de regressar. E talvez pela primeira vez regressei por completa.
Conclui que o espelho nunca precisou de uma luz vizinha, porque essa está dentro de mim. Essa que me permite ver nesse espelho que procuro e não a luz que pensava procurar.
Sim, sempre soube que a diferença entre mim e o meu reflexo é equivalente ao que digo e faço. E possivelmente eu nunca venha a ser diferente. Sou eu.

Sunday, July 22, 2007

Melodia. Harmonia. Ritmo

"A música pode ser considerada como uma forma de arte. E como arte, é criação, representação e comunicação. Na relação dos vários planos sensoriais, a sinestesia, permite -nos "ver" a música como uma construção com comprimento, altura e profundidade."

Thursday, July 19, 2007

RGB ( 255, 0, 0 )


Escarlate em:

Comunismo
Sangue
Cereja
Desejo
Fogo
Energia

Saturday, July 07, 2007

Siga

Percebo que preciso sempre de respirar fundo para obter uma segurança interior, para poder assim ter bom senso, para tudo. E não um vórtice de ideias, que não nos deixam sossegar a mente nem um pouco... Sei como isso afecta a nossa pessoa e como se propaga em Relatividades; Percepções; Subjectividades.
Percebo que não podemos obrigar, mas sim compreender.
Percebo e sigo.
Até: Já; Breve; Logo; Quando tiver de ser; Quando não tiver de ser.
Até... um não sei, onde não há pontos questionáveis, nem linhas problemáticas.

 
Nunca deixamos de sentir aquilo que não dizemos.